Bolsonaro pretende se vacinar neste sábado; dose será aplicada pelo ministro da Saúde
De todo modo, um estudo liderado por pesquisadores da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), assim como outras instituições brasileiras, aponta casos confirmados de reinfecção pela covid-19 mesmo em pessoas que têm imunidade contra o vírus. O receio da equipe do presidente é de que ele seja exposto a variantes da covid-19 que estão em circulação no Distrito Federal — pelo menos quatro cepas mais agressivas do novo coronavírus já foram identificadas pela Secretaria de Saúde do DF, dentre elas, a que surgiu em Manaus.
Como Bolsonaro é do grupo de risco da covid-19, a recomendação de integrantes do governo é de que ele se vacine o quanto antes para evitar futuras complicações de saúde mais sérias caso venha a contrair a doença uma segunda vez.
A reportagem do Correio apurou que Bolsonaro seria vacinado pelo ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, que é médico cardiologista. Provavelmente, o imunizante a ser aplicado no mandatário será o desenvolvido pela Universidade de Oxford em parceria com a Fiocruz.
O endereço onde Bolsonaro será vacinado ainda não foi definido e a decisão está a cargo do GSI. O certo é que a pasta não quer que o presidente receba o imunizante em um local de grande exposição ou que comprometa a segurança do mandatário.
Polêmicas
Desde o ano passado, o presidente Jair Bolsonaro critica publicamente a vacina, principalmente a CoronaVac, produzida em parceria com o Instituto Butantan e a empresa chinesa Sinovac. Ele chegou a falar, em uma live, que “não tomaria a vacina chinesa”. O chefe do Executivo defende a existência de um tratamento precoce com medicamentos que não tem eficácia científica comprovada para combater o vírus.
Na quinta-feira, Bolsonaro afirmou que ficaria entre os últimos lugares na fila da imunização, e que só tomaria a dose caso sobrasse. “Está uma discussão agora se eu vou me vacinar ou não vou me vacinar. Eu vou decidir. O que eu acho? Eu já contraí o vírus. Depois que o último brasileiro for vacinado, se tiver sobrando uma vacina, daí eu vou decidir se me vacino ou não. Esse é o exemplo que um chefe tem que dar.
Igual no quartel. Geralmente, o comandante é o último a se servir. É o que dá exemplo a todos”, afirmou.
Ele chegou a ironizar a eficácia da CoronaVac, que é de 50,38% no geral, mas que previne em 100% os óbitos e casos graves pela doença. “Alguém sabe quantos porcento da população vai tomar vacina? Pelo que eu sei, menos da metade vai tomar vacina. E essa pesquisa que eu faço, faço na praia, faço na rua, faço em tudo quanto é lugar”, disse.