Ato começou na manhã desta quarta-feira (15), em Rio Branco. Grupo fez mesa com café da manhã na entrada da instituição.

Os alunos e servidores da Universidade Federal do Acre (Ufac), em Rio Branco, se uniram, na manhã desta quarta-feira (15), para protestar contra o bloqueio de verbas para as instituições federais do país. De acordo com a reitoria da Ufac, em reportagem publicada no começo deste mês, a instituição deve perder R$ 15 milhões e ter o segundo semestre comprometido.

A concentração começou por volta das 7h. Os manifestantes fizeram uma mesa com frutas para tomar café bem na entrada da universidade, que foi fechada pelo grupo. O presidente do Sindicato dos Servidores da Ufac, Tadeu Coelho, disse que o ato é uma forma de o governo voltar atrás da decisão.

Ainda não há estimativa de quantas pessoas participam do ato, que é pacífico.

“Abala a estrutura da universidade em seu corpo http://ecos.acrenets.com/wp-content/uploads/2023/02/carros-e1528290640439-1.jpgistrativo docente e discente, uma vez que a precarização vai passar a existir dentro da universidade, que tem a responsabilidade dos cursos de graduação, pós-graduação, mestrado, doutorado, e bolsas para estudantes. Esse corte levará a instituição a ter um prejuízo imensurável”, destaca.

Ele disse ainda que o maior prejuízo vai ser para os estudantes que precisam de bolsas estudantis. “Isso tira a possibilidade de os alunos carentes, de municípios longínquos, que perdem a oportunidade de ter uma bolsa de R$ 400. Sem esse auxílio, o aluno deixará de fazer o curso e volta para sua base sem terminar a graduação. É uma perda para a família, para a universidade e para população”, lamenta.

“É um momento da universidade de unir e pedir uma faculdade pública e de qualidade, que o MEC volte atrás de sua decisão e revogue esse bloqueio”, diz.

Bloqueio

Em abril, o Ministério da Educação divulgou que todas as universidades e institutos federais teriam bloqueio de recursos. Em maio, a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) informou sobre a suspensão da concessão de bolsas de mestrado e doutorado.

De acordo com o Ministério da Educação, o bloqueio é de 24,84% das chamadas despesas discricionárias — aquelas consideradas não obrigatórias, que incluem gastos como contas de água, luz, compra de material básico, contratação de terceirizados e realização de pesquisas. O valor total contingenciado, considerando todas as universidades, é de R$ 1,7 bilhão, ou 3,43% do orçamento completo — incluindo despesas obrigatórias.

Em 2019, as verbas discricionárias representam 13,83% do orçamento total das universidades. Os 86,17% restantes são as chamadas verbas obrigatórias, que não serão afetadas. Elas correspondem, por exemplo, aos pagamentos de salários de professores, funcionários e das aposentadorias e pensões.

Segundo o governo federal, a queda na arrecadação obrigou a contenção de recursos. O bloqueio poderá ser reavaliado posteriormente caso a arrecadação volte a subir. O contingenciamento, apenas com despesas não obrigatórias, é um mecanismo para retardar ou deixar de executar parte da peça orçamentária devido à insuficiência de receitas e já ocorreu em outros governos.

*Colaborou Luízio Oliveira, da Rede Amazônica Acre.