Idosa desnutrida é resgatada de casa e cerca de oito dos 30 animais de estimação estavam mortos
Uma idosa de 77 anos foi resgatada com sinais de desnutrição da casa onde vivia em Mogi das Cruzes, na Grande São Paulo. A mulher mantinha cerca de 30 animais em casa, entre cães e gatos, mas quando o socorro chegou oito felinos já estavam mortos. Eles foram atacados pelos cães, que estavam com fome.
O resgate foi feito pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) no dia 22 de outubro. A idosa segue internada na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Luzia de Pinho Melo.
Abandono
A casa estava em péssimas condições de higiene, segundo a Prefeitura, com muito lixo acumulado. Maria do Carmo Silva, vizinha que buscou ajuda, conta que a situação da idosa piorou depois da morte do filho, que morreu há dois meses. “Ela estava sem comer e beber. Tem diabetes.”
De acordo com a vereadora Fernanda Moreno, integrante do Grupo Fera, que trabalha com animais abandonados, o imóvel não tinha energia elétrica e um espaço limpo e salubre para a idosa descansar.
O gabinete dela foi chamado pelos vizinhos, que já tinham procurado outros órgãos. A parlamentar calcula que 20 gatos e 11 cães estavam no imóvel.
“O Setor de Zoonoses retirou oito gatos mortos e resgatou um filhote de cachorro e dois gatos. Eu resgatei uma gata e depois dois cães muito debilitados”. Num primeiro momento parte dos animais ficaram no imóvel, porque não havia protetores disponíveis. A ONG deixou ração para que os vizinhos cuidassem. Na quinta-feira (28), outros animais foram retirados. De acordo com a Fernanda, apenas um cão ainda está lá por ser muito arredio.
Segundo a Prefeitura, os animais resgatados pela equipe do Centro de Controle de Zoonoses (CCZ) seguem em recuperação e poderão ser encaminhados para adoção somente quando estiverem plenamente recuperados.
“A equipe encontrou a residência em situação bem crítica de higiene, com 11 cães e alguns gatos, oito deles mortos, que estavam sendo comidos pelos cães. Por conta da situação, os animais estavam bastante alterados. A equipe do CCZ conseguiu resgatar um filhote de cão e dois gatos.”
Demora para o atendimento
A vizinha Maria do Carmo diz que precisou lutar pelo atendimento da mulher. Ela conta que os vizinhos notaram que a idosa não saía de casa há cerca de 15 dias e ligaram para vários órgãos. Como não foram atendidos, Maria do Carmo resolveu ir até a Prefeitura. “Fui em um prédio e disseram que não era lá. Fui em outro, no Centro, e falei na Assistência Social. Disseram que iam entrar em contato e depois de três dias nada.”
Maria do Carmo afirma que ligou novamente até que a ambulância foi enviada.
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2021/B/m/IwciuzSc6OViNB69BOSg/62fc24c7-3138-4b27-85aa-e5a8cd14755a-fernandamoreno.jpg)
A Prefeitura afirma que casos de acumuladores de animais exigem atendimento conjunto, envolvendo equipes especializadas em Assistência Social, Saúde Mental e Zoonoses. “Tão logo receba alta e retorne à sua residência, essa senhora deverá receber acompanhamento multidisciplinar.”
A Secretaria de Assistência Social de Mogi das Cruzes confirmou que foi procurada pela vizinha da idosa e que imediatamente acionou o Conselho Municipal do Idoso, bem como a orientou a acionar o Samu, em razão da situação de saúde relatada.
Segundo a pasta, o Samu foi acionado e foi à residência da idosa na quinta-feira (21), porém, ao chegar no local, a residência estava fechada e a idosa não quis atender, razão pela qual o atendimento não pode ser prestado nesse primeiro momento.
A secretaria informou ainda que na manhã seguinte, a Assistência Social acionou a Polícia Militar, o Samu e o Centro de Controle de Zoonoses. No mesmo dia, a idosa foi resgatada e levada ao Hospital Luzia de Pinho Melo. Alguns de seus animais também foram resgatados.
De acordo com a secretaria, a equipe da Assistência Social segue acompanhando o caso, em contato direto com a vizinha e também conseguiu, a partir de uma busca ativa, localizar uma sobrinha da idosa, que já está com ela no hospital. O acompanhamento terá continuidade.
Fonte: G1